sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Amo-te, apesar de ...


O amor é uma força poderosa, ou será obsessão por essa sua alma boa que me fascina. Será que nossas almas algum dia definitivamente ocuparão o mesmo patamar ?
As pessoas me perguntam : "O amas ainda ? Porque ?" - Burrinhas, coitadas!
Não se ama alguém"porque" ...Ama-se "apesar de"... Por isso é verdadeiro o que sinto por ti. Entende ?
Apesar de ficares um chato de galocha quando és inflexível, de não observares a verdade do mundo a não ser pela ótica que te convém, de seres atolado e lento quanto a anotar endereços e pedires direções aos outros, de ser egocêntrico e achar que tenho que te seguir aonde quer que se coloque porque vc cismou que eu não posso ficar de fora de sua vida, ainda que eu tente remar contra a correnteza sendo arrastada pelo seu sorriso toda a vez que pedes algo.
Eu te amo apesar de esconderes que sentes algo por mim, além da amizade...
Apesar de vc me olhar quando eu estou distráida, para esconder a verdade até de vc mesmo.
Eu te amo apesar de com esses teus olhos pequeninos, e esse sua alma tão míope, nunca teres decodificado as cartas endereçadas a ti como desesperadas centelhas de um amor guardado, e colhido em nossa em tenra idade. Cada palavra com o coração na garganta pedindo que tivesses sensibilidade de ler na entrelinhas a verdade irrefutável : "Amo-te apesar de..."
Música para o texto : "Wake up call" - Maroon Five

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Miopia


Sentou -se em frente ao mar questionando qual seria o próximo passo em sua vida, após a sua inesperada demissão, que a deixara triste, e achando que não valia muita coisa assim como as moedinhas de um centavo.

Mergulhou de roupa no mar... Precisa limpar a sua alma de tantos mal tratos que se submetera ao longo de 10 anos.

Quando não tomamos decisões relevantes para a melhorada qualidade da nossa existência, a vida faz com que voltemos ao ponto primordial de nossas questões.

Havia empregado sua energia, alma e amor em um trabalho em que poucas pessoas a viam como realmente era, além de relacionamentos tortuosos e ilusórios em busca de um grande amor. A família sempre a viu como um ser frágil. 34 anos de foco errado. Míope, completamente míope. Miopia na alma e nos olhos. Nunca enxergara o brilho, o glamour, a força, garra, a força daquela mulher que a vista de todos os seus amigos era muito interessante. Só os amigos, os do peito, verdadeiros, sabiam quem ela era.

No dia 19 de setembro o primeiro ciclo de "maus tratos" havia sido rompido, data mística. Há anos atrás havia se convertido ao Budismo nesta mesma data. Sabia que não havia sido por acaso. Então, a próxima questão seria encontrar o seu eixo, a sua elipse onde a estrela pulsante de seu nobre caráter pudesse retornar a sua casa planetária.

"Brilhe a vossa luz" era a frase do seu momento, e assim, sentindo-se nua no calçadão da avenida principal de sua vida, pos-se a buscar.

Dia 19 de setembro, o mar, a vida nova invadindo a sua vida velha com reboliço. Um tsunami.

As pessoas a olhavam com estranheza, toda molhada de roupa na praia. "Foda-se" - pensou. "Isso era o que tinha que ter gritado para todos aqueles que tinham tratado seus melhores sentimentos com a irresponsabilidade, frieza e loucura de Nero, que se pos a colocar fogo em Roma, achando que estava fazendo um prato flambado."

Chegou em casa e contou a família o ocorrido, a mãe a apoiou temporariamente, pois visava a sua indenização lhe pediria emprestado uma boa quantia, o pai lhe questionou sobre sua competência e que "besteiras" havia feito para que fosse demitida, e a irmã, em um surto histérico, ficou de melindres porque uma filha desempregada, iria onerar o pai, que a sustentava apesar dos 29 anos e nenhum trabalho relevante, e tirar-lhe-ia a vida literalmente de filhinha de papai.

Deitou na cama, trancou a porta do seu quarto, arrumou as malas e dormiu um sono pesado profundo como se durante todo esse tempo de sua vida, não houvesse descansado verdadeiramente.

Foi uma balburdia, quando na manhã seguinte, encontraram um bilhete juntamente com os óculos que usara a vida inteira. No bilhete estava escrito :

"Nada do que tentei deu certo.
Amar de todo o coração
Trabalhar com a força de 10 elefantes
Doar-me com pureza
Viverei para mim mesma
Viverei para a minha cura
A visão do mundo perfeita
Sem embaços
Não sei por onde vou recomeçar
Vou mergulhar na vida
Não vou represar a água do conhecimento do mundo
Represei a liberdade de meu espírito, ouvindo a todos
Ouvindo sempre que eu não era boa o suficiente
Enchi meus ouvidos de merda
Só ouço a mim a partir de hoje...
Não me esperem, porque eu não vou esperar,
Vou conquistar algo que ainda não sei o que é,
Mas, tenho uma breve desconfiança do que seja ... e é extraordinário
Se esqueçam de mim, porque não me lembrarei de vcs"

Foi para o mundo e nunca mais necessitou de exames de vista.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A Dor Extinta






















Todo o ser humano experimenta a dor em algum momento da vida. Seja ela dor física ou espiritual, todos passamos por isso, algum dia. Não somos diferentes, mas tanto a dor quanto a felicidade tem hora e dia para acabar, só que o grande mistério, para o findar de ambas, é quando tempo elas irão durar.

Ela estava acostumada a sentir um peso no peito. É a lacuna da morte que o amor deixa quando se vai. O amor é sinônimo de vida. Nada consegue preencher esse vazio.

Sabemos, que tudo na vida tem seu tempo para findar. E, foi num dia comum como qualquer outro, que ela fora surpreendida...

Ela iria almoçar às 13:00, procurou seus óculos escuros na bolsa e preparava-se para sair do prédio, quando aquele que havia despertado tanto amor e paixão passou na sua frente.

Ela acalentava o pensamento que após um término de relação, e este tivesse caráter definitivo, o universo conspiraria para repelir o encontro de ex-amantes.

Sabia que o dia em que o visse, iria cair dura e tisga. Afinal, tanta intensidade não podia dar em nada. Pelo menos aquele frio na barriga e o tremor nas pernas teriam de se manifestar.

Do outro lado da rua passara alguém que lhe era familiar, apenas tentava lembrar de quem era aquele rosto. Foi quando, como um pop-up, em sua tela mental estampou a imagem do homem, que lhe tirara o sono durante várias noites, se revelou. Tomou um susto. Te-lo visto, foi o menor dos seus problemas, mas o que sentiu deixou a pasma. O frenesi de dor e mágoa acabara. Ficou estupefata repetindo..."Meu Deus, Meu Deus...passou". A dor se extinguira, o vazio desaparecera, a visão de que ele era um homem mais que perfeito e ela uma vilã de novela terminara....Nada...Apenas o som da Rua da Assembléia e seu burburinho na hora do almoço e um belo dia de inverno.

Acomodou seu óculos escuros, colocou o seu i pod - "Abra seus armários, que eu estou a te esperar" tocava, abriu um sorriso, olhou o céu azul com o sol de inverno e, sem demora mergulhou na vida.

Ela se bastou.

domingo, 17 de agosto de 2008

Fragmento de um momento






Margarida passeava pelos jardins, colhendo energia e deixando a raiva de uma vida mal vivida. Na bolsa um celular e espaço sobrando para a solidão de tantos anos, mais ainda assim, não podia ocupar este espaço com distrações mundanas. Sabia que havia chegado a um momento crucial, não podia a cultivar a infelicidade como o Pequeno Príncipe cultivara a sua rosa. Era necessário mudar. Varrer a "sujeira de baixo do tapete". Enquanto escrevia em seu diário, as mudanças que gostaria de implementar pousou por questões de segundos uma borboleta, vôou um palmo a sua frente e saiu voando liberta pelos espaços dos jardins. Fechou seu caderno, e pareceu mais divertido seguir essa borboletinha graciosa do que queimar os neurônios com algo que, no momento, não teria como resolver tudo de uma vez, como era normal de sua personalidade imediatista.

Cruzou aqueles jardins enormes e centenários, nesse jogo de esconde esconde, entre plantas, arvores, arbustos, flores...e, foi em uma Vitória Régia que ela pousou. Margarida, extasiada, olhava a vitória régia e a borboleta, quando avistou seu próprio reflexo naquele lago. Olhou ainda, mais uma vez para a borboleta, e quando olhou novamente para seu reflexo, notou quando a imagem de um homem fez companhia ao seu rosto estampado na superfície. Observaram mutuamente as suas imagens refletidas e sorriram... Cumplicidade instantânea.

"Bonita borboleta, não ?" - Ele pergunta


"Sim, eu a estava seguindo" - Margarida respondeu.


"Sim, eu sei...Eu sei..." - Respondeu, sorrindo para Margarida.


"É impressionante, quando o seu foco muda, boas surpresas sempre surgem" - pensou Margarida sorrindo para aquele estranho.


- Café ? Vc gosta ...? - Perguntou ele


- Adoro...- Respondeu.


E, esse fragmento de um momento, durou até o fim da tarde de sol, onde os dois foram expulsos dos café do jardins pelos mosquitos e pelos donos do café.






quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Outros Olhos


Pequenos gestos
Grande poesia
Suspiro
Cansaço
Detalhes entre nós
Palavras, sempre meias palavras
Nunca o conteúdo esperado
Diga-me o significado do por do sol
Se para ti ele não brilha
Do que vale acreditar ?
Porque nas noites em que durmo pouco
E por pouco, não me desespero
Aguardando alguém melhor
Algo melhor
Penso no alivio do porvir
Tal qual como sonho
que realiza-se após grande batalha
Vivo do futuro
E isso, me consome...
O que consome sua alma ?
Deixa-me entrar
No seu mundo
Encoberto pela descrença
E, quem sabe
Vendo o mundo com meu coração
Possas finalmente enxergar
Que todas as coisas são um milagre.

domingo, 3 de agosto de 2008

Verdadeira Identidade

Eu não sei se me entenderás. Entenderás a natureza que me guia?
Necessito acreditar em estórias de amor improváveis;
Onde ao final os meios justifiquem o fim.
Eu não sei se entenderás as imperfeições impressas em minhas ações,
Que se deixa levar pelo poder, pelo paixão, pelo desejo, pela raiva, pelo ódio
para que os meios justiquem o fim.
Eu não sei se entenderás que eu compreendo todas as teorias
mas, não possuo a força de vontade necessária para coloca-las em prática, mas se eu me apaixonar, condição necessária, enfrentarei os piores fatos, as piores verdades para seguir esse pulsante, brilhante, e incandescente este orgão que me guia...
E uma vez atingido, o cinza de meu temperamento ranzinza, meu coráter duvidoso, vai se cercar de "uma existencia superiormente interessante" para decompor me em maravilha, prisma de sete cores, trazer ao meu sorriso a verdadeira identidade que possui, e verás no centro do meu peito a luz da alma que habita em mim.
Identifica-me...
Guia-me...
Reconheça-me...