domingo, 12 de julho de 2009

Encantados



Manhã preguiçosa
Chovia e ventava forte

Veio o susto! - (Será um anúncio do medo eminente ?)
Receosamente pensei
Fechei meus olhos
E, imaginei ...
Um dia branco
Alvo como uma tela
Colorindo-se aos poucos
Sendo pintado por nossas aquarelas
"Se assim vc vier
Para o que der vier"
O passado lá está
Amanhã ninguém saberá
Nossos pincéis dirão ao hoje
O que queremos viver
Em tons pastéis ou cores fortes
Talvez, até frias
Convido a se juntar a mim

Colorir comigo colorir esse dia!
Somente esse dia !!
Para ficar ali gravado
E, ao final da noite
Nos olhares trocados
Os sorrisos e beijos,
Nossos olhares
Observando a obra
O dia não é mais branco,
E, outros que virão
Não serão mais tão cinzas
Nesta tela, deste dia
Lançaremos sobre ela nosso olhar
E, finalizaremos nossa arte
Com a paixão que abençoa os encantados.

domingo, 5 de julho de 2009

Precezinha...







Querido Deus,


Hoje, especialmente eu gostaria de acordar, esticar o braço e ver que o lado esquerdo da cama não está vazio.

Queria ter feito aquele sexozinho ameno da manhã de domingo, tomar café na padaria com the one, juntos iríamos a um parque passear e arrematar com um cinema de tarde.

Domingos não me deixam bem.

Domingos são dias propícios para namorar. E eu para variar, sozinha.

Hoje, para não me deixar azedar, comi doce.

Chocolate, brigadeirão, rocambole e para arrematar morangos.

Deus, mande logo aquele meu namoradinho

Antes que eu vire um bujaozinho,

Amém!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Morando entre as estrelas



Esta estória é dedicada a Clementina Marques de Jesus, minha avó, que faleceu em uma data boa para os cristãos, na Páscoa, data de renascimento.

Vovó foi quem me criou, e foi-se de repente. Ela costumava dizer uma frase, que nós ríamos muito, e que demonstrava a objetividade que sempre tivera : "Ja comi, já bebi e nada mais me prente aqui". E, ela se foi assim, pois nada mais a prendia aqui. Tinha cumprido o seu papel.

Vovó e eu sempre tivemos uma sensibilidade a mais para a eletricidade no ar ou as energias etéreas que permeiam a existencia dos seres humanos e que, por muitas vezes, não percebemos. Compartilhavámos laços mais fortes do que os laços de família, estaremos unidas sempre pelos laços do coração.



Tinham ido ao parque de diversões, a avó e a netinha. A fim de que pudessem ir em seu brinquedo favorito. Apesar da diferença da idade, não se sabia ao certo qual das duas era a mais velha. O fato era de que sempre haviam compartilhado as emoções e sensibilidades que muitas vezes passam alheias na vida da maioria dos seres humanos. Ambas tinham vontade de chorar ao verem um lindo por do sol, e quando olhavam as estrelas se sentiam parte da Criação. Nas rádionovelas sentiam medo, terror, amor, e a tristeza de todos os personagens, e por sentirem e vivenciarem as emoções dos outros como se fossem as suas próprias, é que entendiam tão bem de seres humanos.
Muitas vezes adivinhavam-lhes o pensamento antes mesmo de verbalizarem. Por isso, como nem sempre a verdade agrada, tinham poucas amizades, mas as que possuiam eram duradouras.
E, assim existiam juntas, passando por dificuldades, alegrias, perdas e resgates até o dia do carrousel.

O brinquedo estava esquecido em um cantinho do parque, o predileto delas, onde não havia muita gente, e podiam ficar a vontade a compartilhar gargalhadas sem se importarem com expectadores a julgar-lhes. As duas subiram e deram o sinal ao rapaz que manejava o brinquedo.
A netinha subiu no cavalo azul com fitas douradas, e avó no malhadinho com fitas amarelo-ouro. Giraram felizes por muitas horas, se imaginando em pradarias, campos, pampas, vinícolas, alpes, vales e montanhas.

- Neta, sabe um lugar que ainda não estivemos ?
- Qual, avó ?
- As estrelas, nunca sonhamos em cavalgar entre as estrelas.

Colocaram-se a caminho do Universo. Visitaram planetas, apostaram corrida com cometas, se pederam em nebulosas, assistiram emocionadas o nascer de uma estrela, brilharam ao lado do sol, tomaram banho de brilho prata na lua. Quando passaram por Marte, a caminho da Terra algo se modificou no semblante a avozinha, e então a neta entendeu o próposito daquela viagem.

- Avó, já entendi. Precisas ficar, não é mesmo ?
- É, minha neta...Preciso sim. Não te demores, o dia já amanhece. Arreia teu cavalo e parte. Serei parte das estrelas cadentes que passam apressadas, serei a primeira estrela que verás no céu, e cuidarei da tua existência que está impressa no véu azul profundo do universo desde o dia que nascestes, e cuidarei do teu regresso, no dia que subires em seu cavalo azul com fitinhas douradas cavalgando correndo e estarei a te esperar.

A neta deu-lhe um beijo na testa e um abraço apertado, e desceu a Terra.

O rapaz que estava adormecido, acordou e se deu conta que havia passado tempo demais cochilando, parou assustado o brinquedo, olhou-a a menina com espanto, e indagou-lhe onde estaria a sua avó, e a neta ainda um pouco triste respondeu-lhe:

- Não se preocupe! Ela apenas voltou para casa. - E apontou para a primeira estrela que surgiu ao cair da noite.

sábado, 4 de abril de 2009

Off Line

E, foi assim depois de um conversa franca de msn, que ela decidiu ir embora.
Protegia seu medo...Alimentava o desespero...Poupando-se de vivenciar certos fatos e lembranças de suas escolhas ruins.
Pela primeira vez, resolveu ser racional.
Virou as costas, desligou o computador, e pesarosa o excluiu.
Sabia da sinceridade do rapaz mas, não conseguiria dividi-lo.
Ainda que fosse mera ilusão, pois, não sabiam se de fato, os sentimentos incandescentes teriam vazão pelo toque da pele de ambos.
Da virtualidade restou o encanto, as conversas de madrugada, as experiências vivenciadas, a afinidade, a recém conquistada da intimidade e o poder que as palavras possuem formando um universo paralelamente diferente existindo apaixonadamente fora da realidade, e é claro, a saudade.
Ela se desligou da vida, e colocou-se off line do mundo real, acessando em algum lugar de sua alma os sonhos de menina.

quinta-feira, 12 de março de 2009

This Unfaithfull Woman of Mine


Eu havia acreditado nas palavras de ternura e amor.
Aliás, nossa relação foi assim, permeada de palavras.
Era só o que podíamos trocar.
Não sabia o que fazer.Como não sei até hoje.
Afinal, antes só do que muito acompanhado.
Quero tudo, mas não dá.
Quero minhas amadas, meus amores, quero todos os amigos (os do passado e do futuro).
Mas, o futuro como diz o popular : "a Deus pertence".
E, que continue em Seus desígnios.
Decidir qualquer caminho seria doloroso em demasia.
Pelas dores que senti, preciosidades humanas que perdi,
Não consigo me desfazer de mais nada.
Ela se dizia que era só minha. Qual o que!
Mas tenho que ser justo.
Encontrei minha cara metade até nas atitudes mais egoístas e medrosas.
E não é, que ela queria tudo também?
Quando descobri que a SENHORA DO LAGO (mítica e endeusada) era um ser humano comum....Resolvi me perder no ódio.
Afinal, o que mais restava além de subverter, converter, verter a impossibilidade desse amor ausente em ódio ?
Tinha que arrancar da alma esse morteiro que atingiu em cheio o meu ego.
Precisava esquecer que eu não era o único...
Ela, assim como eu, também tinha a alma partida...
Eu, por obrigação, ela por comprometimento.
Amava os dois e não conseguia se desvencilhar.
Ahhh, esse ódio tem me consumido...Mas, prefiro te-lo, para poder me lembrar :
Dos olhinhos rasgados e seus poemas;
Dos momentos em que nos isolavamos do mundo;
Quando me perdia em sua boca macia e em seu mundo.
E, sem receio, ela se entregava ao meu.
E que em noites de luar, chega em minhas narinas, o seu perfume....
E depois de tanto lembrar, odiar para esquecer!
E, esquecendo....Novamente, lembrar.
Sei que ela também pensa em mim...
Deitada em sua cama, nua nos braços de outro, depois de fazer amor...
Lembra-se como era estar nos meus braços, beijar minha boca suavemente...Jantar, sair, rir e achar graça na chuva que sempre abençoava nossa breve vida a dois.
Mas, como ela ainda é minha cara metade,
Vai me odiar tentando me esquecer...
E, tentando se esquecer, cada vez mais, vai lembrar....
Ouvindo: "Wouldn´t be nice!" - Beach Boys

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A Morte da Rainha de Copas ou o Conto da Mega Sena



Todos os dias ao adentrar o escritório onde trabalhava, pisava com o pé direito, carregava flores, a turmalina negra e o quartzo rosa (uma pedra em cada bojo do sutiã) e ao passar pela porta principal, evocava mentalmente canticos budistas de proteção, assim como as conjurações das ritualisticas druidas, e convocava os seus mestres e guias espirituais a ingressarem para mais um dia de batalha psicológica. Já havia tentado de tudo, mas sentia-se como Alice no País das Maravilhas tentando se proteger. Batendo palmas para a louca da rainha de Copas dançar em seus desvarios diários.

Dorotéia tinha pavor de humilhações em público, mas alguns seres humanos são dotados daquele instinto animal que sente no ar o cheiro do medo. Sempre fora a sujeita sem cor do escritório, aquela que permanecia quieta, se pudesse esconderia sempre atrás dos muros das baias para nunca ser vista, pelo seu caráter introspectivo, os mais marketeiros do escritório, nunca se interessaram em fazer amizade. Mas, isso não a incomodava. Desde que aprendera amarrar seus sapatos, sabia-se só. Preferia mil vezes não ser vista e nem notada e efetuar seu trabalho em pleno silêncio, mas não é que o diabo da mulher sempre achava um jeito de vociferar com ela.
O "diabo da mulher" chama-se Cupertina Durão, mas acredito que o mais correto a dizer, era que ela tinha o capeta no corpo. Acredite-me nem um exorcista daria um jeito "naquilo". Ela de fato se parecia com a rainha de copas, mas com o corpo do personagem Bob Esponja Calça Quadrada. Ainda assim, dizia-se um mulherão. Seu marketing pessoal era imbátivel, era carismática e vendia até areia em um deserto. Vendia-se como um peixão, apesar da aparencia de bacalhau.
Rezava a lenda, que Cupertina Durão, importante publicitária, dona de um império de cadeias de fast food (cujo segredo culinário era reaproveitar sobras de resto de churrasco para a confecção de hamburgueres) havia conseguido a licença para a comercialização de seus produtos organizando um cocktail para atrair a atenção (e sabe-se lá o que mais) do diretor da Vigilância Sanitária - Acácio Coutinho que mais tarde, tornara-se seu sócio na Durão Produtos Alimentícios.
O "diabo da mulher com o capeta no corpo" era tão obstinada que conseguiu casar com o "parvo" Caio. Caio era daqueles homens que necessitavam de uma figura feminina que veste cuecas box. Elegante porém viril. Sua mãe havia morrido no parto, então vivia eternamente com aquela carinha de cocker spaniel que não havia ganho o seu Biscrok a cheirar o pé de mulheres que o colocariam no colo ou na coleira (nesse caso tanto faz) e proveriam sua carencia de leite materno.
Nenhuma mulher em sua independencia e exuberância consegueria apaixonar-se por ele, mas Cupertina Durão, em que tudo via uma boa oportunidade de unir o dever ao prazer, não perdeu tempo.
Então, após um ano se casaram. Após um ano ela abrira seu primeiro restaurante fastfood. Após 8 anos de casamento, tinham 2 filhos (Lucius Augustus e Otavianus Julius - ela queria que os filhos fossem dignos do império que haviam construído), 1 labrador disléxico, e 40 restaurantes em todo o Brasil e um em Miami (lugar para as férias de final de ano da família).
Ainda assim, com toda essa felicidade, Cupertina não conseguia passar nem um dia sem menosprezar, irritar, enervar, e quem sabe provocar até um infarto (nessa caso nunca era culpa dela, mas do marido que a tinha irritado até ela descontar em alguém) em um de seus funcionários, subalternos ou familiares.
E, é aí que voltamos para Dorotéia, que havia sido contratada após 18 assessoras pessoais terem ido embora ou sido internadas em clínicas psiquiátricas ou de reabilitação de drogas e afins. Segurando o coração na mão todos os dias, a fim de não ter a cabeça cortada, seu sustento dependia só dela, seus pais haviam morrido a muito tempo, e se criara com avó que havia falecido ano passado.
Concordava com as mais estapafúrdias atitudes, dizia amém a todas as sandícies e imundícies da senhora do castelo dos hamburgueres de picanha mal passada. Engolia as humilhações e os ressentimentos com goles generosos de água com florais de bach. Tinha medo que um dia tudo aquilo eclodisse. Afinal, quando alguém assim tem os seus "cinco minutos de insanidade" tende a perder totalmente a razão.

Certa feita, Dorotéia tinha feito as planilhas de custos assim como as de recebimento, entrou em contato com todos os clientes cobrando os inadimplentes, havia ligado para alguns forncedores de sobra de churrasco em Nova Iguaçu, Oswaldo Cruz, Duque de Caxias, Méier, Bonsucesso e Bangu (afinal tinha sido final de semana de Flamengo e Vasco), para que pudessem assinar o termo de confidencialidade do fornecimento de sobras prevendo consequências desastrosamente insalubres para a quebra do contrato, providenciara a entrega das sobras nas redes fast foods, acionou os seguranças da rede para fiscalizar a entrega, assim como os gerentes para o recebimento da carga preciosa, ligou para os fabricantes de carne de rã para requerer o carregamento novo a fim de fazer chegar até as redes os hambugueres de carne de râ prensados para o lançamento do pererecas light club lifestile - novo sanduiche da rede até quarta feira, e uma série de outros telefonemas, além das ordens do dia para a 22a babá do casal.
Era terça feira de manhã e estava já estava exausta! Olhou o relógio, 13:00, precisava sair para repor as energias. Ligou para Cupertina, e perguntou se podia sair para almoçar...
- Almoçar ???? Para que ??? Com as banhas que vc está dá para matar a fome do sudão! (seguida de uma risada maquiavélica.). Brincadeirinha querida, pode ir. Come em 15 minutos e esteja aqui. Quinze minutos é mais que suficiente!
Dorotéia precisou de uma intervenção divina para segurar a mão direita que já tinha pego o extrator de grampos prontos para adentrar a sala da possuída para dar umas estocadas na carótida daquela peste! Respirou, pegou a bolsa e saiu.
Comeu um sanduiche no concorrente só de sacanagem. Se era para engordar, que fosse no concorrente. Foda-se! Já estava cheia daquela merda. Comeu seu Big Mac com voluptousidade, tomou seu refrigerante. Após seu breve almoço, foi lotérica conferir se havia sido a mais nova milionária. Jogava toda a semana. Sua esperança em um pedacinho de papel.
Ela teve que se sentar em um banquinho na Rua Uruguaiana para tomar fôlego. Estava milionária desde segunda feira e não sabia. Quase morreu de susto! Mas, recobrou as forças e pensou que morrer em uma hora daquelas seria dar um grand finale imbecil a uma existência patética. Foi quando uma idéia lhe ocorreu....Era hora da vingança.
Quando retornou ao escritório de Durão Produtos Alimentícios, duas horas haviam se passado, tinham 48 mensagens vociferantes de Cupertina em seu celular e 15 dos colegas perguntando e temendo pela cabeça de Dorotéia. Mas, como se todos os seus amuletos, preces, evocações tivessem milagrosamente funcionado, hoje era uma nova mulher...Uma nova mulher com 32 milhões em sua conta corrente.
Assim, que Dorotéia pisou no escritório, Cupertina, saiu de sua sala com seus melhores impropérios. Dorotéia calmamente andou com a chefe em seu cangote a berrar :
- Vc está me ouvindo sua merda ? EStá ?
- Estou...Muito bem por sinal.
- Vc está maluca ? 2 horas de almoço ? Tá maluca ?
- Estou maluca sim...Vai me internar ? Eu tenho o nome das clinicas aqui se vc precisar ligar...
- Hã ? Como ousa me responder ? EU SOU CU-PER-TI-NA DU-RÃO E NIN-GUÉM...NIN-GUÉM FALA COMIGO DESSE JEITO, NEM VC, sua vagabunda! Eu quero meu relatório AGORA.
- Pois não.
Dorotéia pegou o monitor de sua mesa, desplugou calmamante, o carregou até a sala de
Cupertina, abriu a porta e arremessou nos cornos da chefe, como se ali ela estivesse liberando todos os anos de ofensa e humilhação :
- Tome seu relatório sua velhaca burra e gorda, enfia essa merda desse seu rabo do tamanho do Oceano Atlântico. Eu estou de saco cheio dos seus desvarios!!!
Mal amada e infeliz, ou vc pensa que todo mundo aqui na empresa não sabe que seu marido não te come a mais de três anos?
E sabe porque ?
Ele tem uma caso com a chefe do jurídico, sua imbecil...Melhor amiga dele, o caralho!!!!!
Sempre foi o grande amor do cara de bolacha água e sal. Mas , era "só amizade" até o babacão começar a ganhar dinheiro para burro junto com vc!!!!!
É desnecessário dizer que a esta altura, já tinha juntado gente na ala da diretoria, e Caio tinha saído porta afora juntamente com Fábia Monteiro (sua amante). Cupertina atônita, primeiro por ter recebido um monitor na cara, e depois ao ver sua cândida assistente a cuspir-lhe as verdades em cachoeiras.
- Além disso, trepava com ela aqui dentro do escritório, nas suas costas e vc achando que ele estava encoleirado !!!!! Ha ha ha!!!!!
O pessoal da segurança gravou TUDO!!!! E após uma bela propina paga pelo seu querido marido, entregaram a fita para ele, mas ele é de uma inteligência sem igual que misturou as fitas com as do marketing e eu fiz o favor de achar sem querer quando fui procurar a apresentação dessa porra dessa boate aqui !
Eu posso ser gorda, imbecil, incompetente, mas sempre fui leal à vc achando que em algum lugar dessa sua alma infeliz tinha um naco de bondade. Puta que paril, que ilusão!...
Mas, tenho a porra de um futuro pela frente, e vc tem uma vida patética escondida em uma mentira!!! Imitação de uma vida perfeita cheia de lacunas. Vai chupar um canavial de rolas sua mal amada!!!! Eu me demito...Não trabalho para vc nem fudendo!
Dorotéia pegou sua bolsa, e ao sair daquele recinto foi aplaudida com ardor pela massa na porta, nos elevadores do prédio, na portaria. Virara a heroina anônima da vida diária. A presença de Cupertina era tão insúportável que ao ve-la as pessoas só pensavam em humilhação e confusão. Dorotéia os vingara.
Foi para casa, tomou um longo demorado banho, abriu a geladeira retirou uma lasanha congelada e riu-se pensando que era a última vez que iria comer aquilo, esquentou-a no microndas, saboreou aquela refeição barata, e ligou a televisão para ver o noticiário das 19:00 :
- Se jogou do décimo nono andar, a empresária dona da rede de fast foods D. Fast Hamburgueres, Cupertina Durão morrendo instantâneamente. Interrogados, os funcionários do prédio não sabem o que aconteceu, tão pouco os da empresa, mas todos foram unânimes em dizer ela não possui seu juizo perfeito e vivia a esbravejar com todos. Seu marido não fora encontrado até o final dessa reportagem para esclarecimentos.
Dorotéia sentou-se no sofá acompanhada de sua gatinha preta Capitu, pegou o telefone e reservou uma passagem primeira classe para a Itália, iria engordar com estilo e requinte. Após ficaria em uma spa no Sul da França, faria uma plástica e trocaria de nome. A rainha de copas estava morta, restava Alice saborear a sua vingança, em um pais distânte, o que seria de fato uma das muitas maravilhas que estavam por vir.








quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Platônica




Sobrara o velho vício de sonhar...

Ela contunava a alimentar sonhos de romances impossíveis.
Uma mulher tão forte, mas enfraquecia sua virilidade rosa criando em sua imaginaçãozinha mais uma estória de filme romântico. Se recusava a ser cética, mas sabia que havia alguma verdade na realidade, mas só para contrariar se recusara a acreditar, vivenciando as ilusões como uma maneira de escapar do espelho que dizia todos os dias que o viço de antes já não estava mais lá.

Ainda assim, com toda a realidade a berrar-lhe nos ouvidos que ela não tinha a menor chance, enamorou-se dele. Amor de um lado só. Seu temperamento irritado e inconstante deu lugar a uma calorosidade (se é que essa palavra existe) que derreteria até as calotas polares e uma receptividade tão grande que nem o Grande Gatsby a barraria como anfitriã. E, era assim, abrindo os salões de baile de seu coração que ela aguardava os sinais da presença de seu menino.

Uma carta, um bilhete, um e-mail, um almoço, um happy hour, uma palavra...Ia alimentando-se de esperança...Ia fazendo fotossíntese com a luz do amor imaginário que ela inventara para fugir da realidade. Certa feita, em uma conversa informal que os dois divertidamente mantinham antes de adentrarem em um bar, ele disse que havia sonhado com ela, e que seus familiares ouviram chamar-lhe pelo seu nome. Neste dia, a razão fora passear enquanto o coração tentava arrumar a casa. Sentaram-se em um bar nas proximidades da loja de discos em que trabalhavam, e enquanto ele falava, ela o observava com uma vontade barbara de beija-lo...Seus cílios compridos, a risada fácil, a inteligencia previlegiada, a empatia compartihada em idéias e na presença reconfortante que sempre a enternecia.

Enquanto ele ia ao toalete, a razão retornara se seu passeio, e foi colocar o coração no seu devido lugar. Quando ele retornou, havia uma notinha escrita em um guardanapo dizendodizendo :

"Querido,

Me sinto ridícula em te dizer, mas adoro-te.

Penso em esses seus olhinhos quase o tempo inteiro e, quando não sei de ti, abre-se uma lacuna em minha vida. Mas, acredito que esta ficará sem o preenchimento da palavra necessária para dar sentido a frase, por muito tempo...

Pelos gostos que tens e as mulheres que possuistes, dentre todas seria a última opção. Primeiro, pela idade, segundo pela forma, e terceiro jamais burlaria as regras de tua vaidade.

Peço que em perdoe, mas sendo tu o que és, já me cativaste. E sendo assim, preciso te esquecer antes que isso vire uma norme balburdia em minha mente.

Pediu demissão da loja, pegou sua mochila e foi viajar.

Precisava completar a lacuna com uma palavra que o amor não lhe dava, aliás nunca lhe dera.

O amor a aprisionava, então estava disposta a substituir por uma palavra diferente : Liberdade. No momento, além do seu vício se sonhar seria a que faria mais sentido do que àquela que sempre a governara : platônica.